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: 1993 |
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IV SALÃO de BANDA DESENHADA da AMADORA
Verdadeiramente, 1993 é o ano em que o Festival estabiliza a sua muito alta fasquia.
Definitivamente lançado em termos de relevância nacional (atraindo, definitivamente, a atenção da comunicação social), e projecção internacional, o evento deixa-se de amadorismos, experimentalismos e boas vontades.
O convite para que a Amadora estivesse presente nas comemorações do vigésimo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em Janeiro de 1993, confirmou o prestígio alcançado, reforçado com a inclusão do Festival, a partir desse ano, no Calendário Internacional de Festivais de Banda Desenhada, editado pelo Museu de BD daquela cidade francesa. Mas, se alguma dúvida subsistia junto do público português, ela foi rapidamente dissipada com a apresentação de um programa que incluia a presença na Amadora de nomes tão significativos como os de Jean Giraud ou Mordillo.
Um número de cerca de vinte e seis mil visitantes constituíu um novo recorde de presenças.
A abordagem “profissional” reflectiu-se aos níveis do interesse e dedicação revelados, sobretudo, na área de exposições. O espaço da Fábrica da Cultura também se apresentou mais bem aproveitado (apesar de não conseguir afastar o frio).
Aparentemente esquecidos em 1992, os fanzines que tão importantes se afirmaram nos primeiros anos de Festival constituíram objecto de mais um troféu Zé Pacóvio e Grilinho.
Cinco anos antes da presença portuguesa em Angoulême, o Festival apresentou a exposição colectiva Luso ‘BD, reunindo vinte e três autores nacionais: José Abrantes, Borges, Diniz Conefrey, Luís Diferr, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Catherine Labey, Rui Lacas, Luís Louro, Fernando Martins, Jorge Mateus, João Mendonça, Pedro Morais, José Morim, Renato, José Ruy, os gémeos Santos, Nuno Saraiva, Eugénio Silva, Maria João Worm, Zeu e Fernando Relvas.
As obras distinguidas na 3ª edição do Festival serviram de ponto de partida para três exposições: a série “Fulù” de Trillo e Risso, “A Moura Cassira” de Augusto Trigo e Jorge Magalhães, e o universo humorístico de Michel Bridenne. O mundo singular de “Calvin & Hobbes” bem anunciado com um enorme Hobbes de boca aberta, antecedia o espaço dos trabalhos que integraram os concursos de banda desenhada e cartoon. A obra de Mathias Schulteiss foi motivo de uma grande mostra onde se recriava o ambiente do Porto de Hamburgo. Uma exposição sobre “Salamão e Mortadela” contava com a colaboração do visitante, propondo um corredor surpresa com cerca de duas portas. Produzida com a Fundação Hergé, a ambiciosa mostra “O Mundo de Tintin” ocupava um espaço dividido em quatro unidades temáticas, onde se destacava o foguetão espacial que levou o (este ano septuagenário) jornalista à Lua. As colectivas “Jazz e BD”, “Mulheres” (de autoras nacionais) e “As Aventuras do latex” mostravam como a banda desenhada deixou de ser um exclusivo das crianças. O angolano Abrãao, do jornal Mankiko, e o brasileiro Arthur Garcia mostraram individualmente o seu trabalho. “Export BD” foi uma interessante iniciativa de focar os passos de internacionalização dos autores portugueses. “Sentimentos” era o tema para a afirmação do estreitamento cultural entre as cidades de Amadora e Córdova. A mostra sobre “Filipe Seems”, talvez a mais interactiva das exposições, dava a conhecer um universo que dominaria a edição seguinte do Festival. Finalmente, duas (ou três?) exposições centravam-se nas obras de dois (ou três?) grandes autores da banda desenhada internacional: Jean Giraud/Moebius e Mordillo. A primeira apresentava uma cenografia arrojada, separando os universos Gir e Moebius (a imagem da mina, retirada do universo de Blueberry foi uma das imagens fortes do Festival). A segunda espelhava bem o delírio humorístico da obra de Mordillo, apresentando-se sob o olhar atento de gigantescas girafas.
A presença de Jean “Moebius” Giraud na Amadora (ainda que com muito pouco espaço de manobra consentido por um hiper-vigilante editor português) deu, por si só, a condição de adolescente (a caminho da idade adulta) a um Festival com apenas quatro anos de existência.
Em 1993, Jean Giraud estava a desenvolver simultaneamente projectos de trabalho para os mercados franco-belga, norte-americano e japonês, traduzindo com a sua obra o carácter universal da banda desenhada. Também por isso, e como reforço do “passo para a internacionalização” que o festival dera, foi uma escolha feliz. Em paralelo com uma muito bem conseguida exposição que revelava as duas faces artísticas do autor, a vinda à Amadora do genial criador francês permitiu ao público um contacto mais próximo com uma personalidade fascinante, em que a busca é permanente e quase nada é planeado.
Outros autores que marcaram presença foram José Abrantes, Renato Abreu, Nazaré Álvares, Victor Borges, Diniz Conefrey, Vera Crespo, Ana Cortesão, Luís Filipe Diferr, António Jorge Gonçalves, José Garcês, Alice Geirinhas, Arthur Garcia, Rui Lacas, Catherine Labey, Guillermo Mordillo (Argentina), João Mendonça, Jorge Mateus, Fernando Martins, José Morim, Pedro Morais, Marina Palácio, José Ruy, Eugénio Silva, Nuno Saraiva, Luís Louro, TóZé Simões, Carlos Santos, Fernando Santos, Manuela Torres, Augusto Trigo, Maria João Worm, Zeu, Francisco Ibañez (Espanha) e Abraão Eba (Angola)
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