ANO

RETROSPECTIVA | 1994

: 1994 |

V SALÃO de BANDA DESENHADA da AMADORA

Em 1994, o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora figurou como iniciativa paralela no programa de Lisboa ’94 – Capital Europeia da Cultura.

Em comemoração de 5º ano de Festival, a edição de 1994 foi, sobretudo, um grande festival de exposições. Não só pelas arrojadas cenografias (da caravela dos Descobrimentos à mostra dedicada a Will Eisner), mas sobretudo pela unidade informativa e didáctica que o conjunto das exposições fornecia, em especial a quem estava menos familiarizado com a banda desenhada.

As exposições afirmavam uma pluralidade de estilos e tendências, quer ao nível nacional quer ao nível internacional muito acessíveis a uma primeira leitura. Mesmo as exposições temáticas revelavam universos tão familiares como a bicicleta, a era das Descobertas ou a mais recente história da Europa, permitindo a partir daí o contacto com outros universos.
Modelos graficamente ambiciosos, como os de Muñoz ou Breccia (ou Patrícia Fonseca ou Rui Lacas), ou narrativamente ambiciosos, como os de Jodorowsky, Bilal ou Eisner, eram revelados a partir de modelos mais clássicos, como o de Foster.

A partir de 1995, o Festival continuou a crescer, e ganhou indubitavelmente em conteúdo. Mas esta linearidade de apresentação de que o conjunto de 1994 constituíu o modelo exemplar, perdeu-se, pelo menos até 2000.

A exposição dedicada à obra de Will Eisner foi um marco na potencialidade de excelência de apresentação que o Festival detem. O consagradíssimo mestre norte-americano continuou a referir-se em termos elogiosos à exposição que esteve na Amadora, em entrevistas concedidas no estrangeiro, anos depois de 1994.

Premiada na 3ª edição do Festival, a obra de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves esteve em grande destaque entre as exposições de 1994. ‘Filipe Seems’ ocupava um espaço singular, num quadrado de quatro módulos quadrados, logo à entrada da Fábrica da Cultura. Uma retrospectiva fotográfica dos primeiros cinco anos de Festival, antecedia uma mostra sobre o universo da ‘Catedral Invisível’, também premiado em 1993, cinco anos antes da grande exposição dedicada a Jodorowsky. ‘Inês de Castro’, o álbum de Eugénio Silva foi o motivo de uma interessante exposição, onde os “bastidores” de uma BD e o processo de impressão não foram esquecidos. Miguelanxo Prado trouxe à Amadora uma obra-prima da BD mundial, ‘Traço de Giz’.

A mostra dedicada a Bourgeon foi das mais aguardadas e aplaudidas, e ocupava um grande espaço que antecedia três pequenas mostras: “Mankiko” sobre a revista angolana com o mesmo título, “Feiticeira Africana” do espanhol Marco Nadal, e a mostra de jovens autores portugueses “Violência”. Passando a área comercial, estavam três exposições de grande nível: uma dedicada à obra de Muñoz, outra dedicada ao trabalho de Breccia, e uma outra de ‘odiosas comparações’ entre os épicos “Capitão Trovão” e “Principe Valente”. Atravessando uma pequena rua, o intercâmbio cultural entre Amadora e Córdova reafirmava-se com a pequena mostra “Lendas de Córdova”. Novos trabalhos de autores portugueses, concretamente “A Voz dos Deuses” de João Amaral e Rui Carlos Cunha e “O Castro” de José Ruy, preparavam um espaço que convidava o espectador mais jovem, com o urso Petzi e o registo dos trinta e cinco anos de Astérix.

Na outra margem da Fábrica da Cultura, impunha-se uma grandiosa embarcação, construída a partir das referências de um navio do século XV, onde se mostrava a temática dos descobrimentos portugueses na banda desenhada. Mais albuns nacionais com direito a exposição individual eram “Um Caso de Ópio” (de Patrícia Fonseca e Carlos Morais) e “Maldita Cocaína” (de Rui Lacas e Jorge Magalhães), antecedendo os trabalhos participantes nos concursos de banda desenhada e cartoon. “TransEuropa” era uma mostra colectiva sobre a história da Europa Ocidental, na forma de uma viagem de comboio. Finalmente, “Opus 5” de Mordillo e “A Bicicleta na BD” abriam caminho para, passando o auditório, uma das mais conseguidas mostras do Festival, a mostra dedicada à obra de Will Eisner.

Entre os autores convidados que marcaram presença na Amadora em 1994, e sem prejuízo de grandes nomes como Muñoz ou Boucq, Will Eisner foi, naturalmente, a grande vedeta. O autor de “The Spirit” e criador da “graphic novel”, encantou a Amadora, cumprindo um programa repleto de sessões de autógrafos e contactos com a imprensa.
A grande desilusão foi a presença de Bourgeon, que, muito aguardado, não agendou qualquer sessão de autógrafos.
Os autores portugueses estiveram em particular evidência, desdobrando-se em debates, sessões públicas de lançamentos editoriais e sessões de autógrafos.
Estiveram presentes em 1994: Alexandre Algarvio, João Amaral, François Boucq (França), François Bourgeon (França),

Rui Carlos Cunha, Will Eisner (E.U.A), Patrícia Fonseca, António Jorge Gonçalves, José Garcês, Baptista Mendes, José Muñoz (Argentina), Marco Nadal (Espanha), Rui Lacas, Miguelanxo Prado (Espanha), José Ruy, Carlos Santos, Fernando Santos, José Santos, Eugénio Silva, Lito Silva e Nuno Artur Silva.

   
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