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: 1997 |
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VIII SALÃO de BANDA DESENHADA da AMADORA
Com um elevadíssino número de exposições para apresentar, o espaço da Fábrica da Cultura apareceu, nesta oitava edição, mais compartimentado, com paredes de madeira apoiadas por estruturas metálicas criando diversas salas. Por outro lado, a limitação de área e este número de exposições obrigou o espaço da Fábrica a crescer... para cima! E as exposições apresentaram-se, pela primeira vez, em dois pisos. Um ainda mais impressionante investimento na cenografia das exposições acompanhou este crescimento. Também uma opção de descentralização na apresentação das exposições foi definida neste ano, com o aproveitamento de outros espaços da Amadora: a Galeria Municipal (Artur Bual), o Espaço Delfim Guimarães e os (renovados) Recreios da Amadora.
O calendário trouxe algumas novidades, reforçando um “fim-de-semana” só com autores nacionais, numa altura em que o fantasma de uma representação nacional no 25º Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em Janeiro de 1998, se fazia sentir.
Depois de algum deserto editorial em 1996, 1997 foi um ano cheio de edições, e o Festival da Amadora voltou a ser o palco preferencial para lançamentos editoriais. Os trabalhos vencedores dos concursos de banda desenhada e cartoon foram, finalmente, publicados.
Entre o mais impressionante cartaz internacional do Festival, a vinda simultânea à Amadora de Van Hamme, Benoît Peeters e Pierre Christin obrigou o Festival a repensar o tratamento adequado à condição de argumentista.
A aposta do reconhecimento internacional e mediático foi definitivamente ganha, e a crítica reforçou que o Festival entrara na ‘idade adulta’. Factores que evidenciaram este reconhecimento foram o forte apoio do Ministério da Cultura francês, um público mais interessado, a exposição de originais de Edgar Pierre Jacobs e a vinda à Amadora do mais “internacional” autor português, Eduardo Teixeira Coelho.
À entrada da Fábrica da Cultura, um enorme contentor apresentava a exposição de Ted Benoît e Van Hamme, alusiva ao regresso de “Blake e Mortimer”, com uma cenografia arrojada. A área mais vocacionada para o público infantil encontrava-se bem definida junto à recepção, dominada pelo dinossauro “Dakar”, de Abrantes e Diferr, mas englobando também um espaço para o gato Garfield, e, no piso superior, os “Schtroumpfs”. Não muito distantes estavam as exposições de José Carlos Fernandes (centrada no “Barão Wrangel”) e a colectiva “Sidaventure”. No grande corpo das exposições, em frente ao auditório estavam os originais da série “Vasco” de Gilles Chaillet. Em frente, impunham-se as cores fortes do universo do álbum “Museum”, do espanhol F. de Filipe. Já no piso superior, os trabalhos do atelier Gulbenkian antecediam os originais de Kevin O´Neill e de Van Den Boogaard. Mais adiante, estavam os trabalhos dos concursos de banda desenhada e cartoon, e, ainda no piso superior, podiam ver-se alguns originais da “História do Jardim Zoológico de Lisboa em Banda Desenhada” de José Garcês. Descendo ao piso inferior, a exposição de originais de “O Pensador” de Ricardo Blanco antecedia a colectiva brasileira “Amazónia 3000”. A obra de André Juillard foi motivo de uma mostra individual, em que um filme com o autor a trabalhar uma prancha, e a falar da sua obra e das suas influências foi mostrado em vídeo. Num espaço de tendência hexagonal estava o mundo da primeira ‘graphic novel’ portuguesa, “A Arte Suprema”, incluindo páginas do guião. A gigantesca estátua de Horus regressou à Amadora introduzindo a exposição de Enki Bilal. Logo a seguir, estava o espaço multimediático da dupla Schuiten/Peeters, amplo e diversificado, também com um vídeo de suporte. Finalmente, Mézières e Christin mostravam parte do universo de “Valérian”.
Na Galeria Municipal, a exposição sobre a guerra como temática na obra de Edgar Pierre Jacobs foi a uma das grandes pérolas do Festival. Foi a primeira vez que os originais foram expostos fora da Bélgica, país natal de Jacobs. No espaço Delfim Guimarães, esteve uma colectiva nacional com trabalhos de José Carlos Fernandes, Ana Cortesão e Filipe Abranches. O espaço dos Recreios da Amadora apresentou a mostra relativa à obra de Jayme Cortez, e a Lisboa de Miguelanxo Prado.
Os autores convidados foram distribuídos pelos três fins-de-semana do evento, por forma a dar a cada fim-de-semana um conteúdo próprio. O primeiro, numa óptica de divulgação, reuniu os autores estrangeiros menos publicados em edição portuguesa. O segundo, foi dedicado aos autores portugueses. Finalmente, o terceiro reuniu os nomes internacionais de divulgação dispensada: Bilal, Schuiten e Peeters, Ted Benoît e Van Hamme, Mézières e Christin, Fred e Prado.
No que respeita aos portugueses, 1997 viu publicada mais de meia dúzia de obras, de diferentes formatos e editoras, de José Carlos Fernandes. O autor algarvio apresentou-se na Amadora e desde logo afirmou que o suporte editorial não influi no processo criativo. “Não trabalho por encomenda”, disse o algarvio, considerando de todo impensável que se trabalhe de modo diverso por se ter em vista uma publicação em álbum ou num fanzine. “O meio é tão pequeno, que não há regras”. Não há um percurso certo: há que trabalhar. “Eu não trabalharia menos ou mais devagar se não tivesse as hipóteses de edição que tenho, e é ao fim de umas centenas de pranchas que eu já posso dizer que acumulei uma certa experiência, e que de certo modo domino as técnicas narrativas”.
Enki Bilal foi, em termos de público, a estrela entre as estrelas convidadas para a edição de 1997 do Festival de Banda Desenhada da Amadora. O autor nascido na antiga Jugoslávia trouxe à Fábrica da Cultura fãs de todas as idades, tamanhos e feitios. Num encontro com o público, Bilal abordou as suas experiências fora da banda desenhada, que o levaram a domínios tão diversos como o da ópera. E confirmou que, à excepção do cinema que é uma paixão de infância, na maior parte dos casos tratou-se de um impulso de curiosidade e experimentalismo. Bilal esteve na Amadora depois de realizar o seu segundo filme, “Tykho Moon”, e enquanto terminava “O Sono do Monstro”, primeiro volume de uma nova trilogia de um estilo de banda desenhada que conquistou o público português, e que o autor apelida de “ficção prospectiva”.
Os autores presentes foram José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Rui Zink, José Abrantes, Luís Filipe Diferr, José Garcês, Jean-Claude Mézières (França), Pierre Christin (França), François Schuiten (Bélgica), Benoît Peeters (França), Enki Bilal (Jugoslávia), André Juillard (França), Ted Benoît (França), Jean Van Hamme (Bélgica), Jal (Brasil), Gilles Chaillet (Bélgica), Theo Van Den Boogaard (Holanda), Kevin O’Neill (Inglaterra), Miguelanxo Prado (Espanha), Ricardo Blanco, José Ruy, Eugénio Silva, Luís Louro e Eduardo Teixeira Coelho.
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