XIV SALÃO de BANDA DESENHADA da AMADORA
Acolhendo A Mulher como tema central, o FIBDA apresentou um leque variado e diversificado de exposições, oriundas de diversos países, que confirmaram este evento como o mais consagrado do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível internacional. O tema revelou-se uma boa escolha para o público menos ligado à banda desenhada, designadamente captando a atenção das revistas femininas.
Pela primeira vez desde que o Festival se mudou para a Escola Intercultural (deixando a Fábrica da Cultura), viram-se espaços concebidos à medida de exposições (e não a inversa). No entanto, apesar de haver a registar o regresso de uma certa ambição ao nível da cenografia, continua a sentir-se que haveria outra dignidade num espaço mais amplo e com mais possibilidades ao nível das soluções. De resto, a Escola Intercultural continuou a não permitir envolver a cidade da Amadora no mais importante acontecimento cultural local.
Com uma fórmula perfeitamente estabilizada, foi possível ver com maior pormenor os domínios em que o FIBDA foi menos conseguido. O pouco envolvimento da cidade reflectiu-se também na falta de resultado da experiência “descentralizadora”, e nalguma falha ao nível da divulgação, promoção e informação (o que teve consequências, por exemplo, ao nível da qualidade dos trabalhos apresentados nos concursos: houve vários prémios que ficaram por atribuir). A cerimónia dos prémios e troféus também não prestou um bom serviço ao FIBDA ou à BD.
O FIBDA 2003 fica ainda marcado pelos cancelamentos de última hora. Milo Manara (felizmente, os originais ainda apareceram em tempo de integrar a exposição), Miguelanxo Prado, Quino, Jim Borgman, Florence Cestac, Annie Goetzinger ou Lynn Johnston foram autores que acabaram por não vir à Amadora depois de terem sido dados como confirmados. Foi interessante ver como é que organização e público responderam a esta situação, passando à primeira linha autores como Eduardo Risso ou Michel Plessix.
Entre os aspectos positivos, voltam a salientar-se o fortíssimo empenho de todos os profissionais envolvidos (dos editores aos autores), e a presença e participação do público. Destaque para todos os autores portugueses que, apesar de relativamente pouco representados nas exposições, confirmaram ser parte essencial do Festival.
No que respeita ao peso do Festival nos planos nacional e internacional, releva desde logo que, como era de esperar, o FIBDA demonstrou que pode ser complementar a outro tipo de apostas (exposições mais alternativas como as do Salão Lisboa, ou apostas mais comerciais como o BD Fórum), mantendo-se como a grande referência do panorama da BD portuguesa. Em termos internacionais, interessa sobretudo sublinhar a recuperação – em termos de continuidade - da ligação com a BD de expressão latina.
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